Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2024

MINHAS REALIZAÇÕES

 Como disse moro e vivo nesta cidade do interior. De vez em quando lá vem o carteiro. E ele me traz livros que compro pela Internet. Às vezes me traz também medalhas, diplomas e publicações de textos meus que porventura são premiados. Premiados por Academia de Letras que me concedem esta honra. E eu a cada vez que isso acontece, me sinto deveras realizado.  Dependuro as medalhas e os diplomas nas paredes. E as publicações de textos meus eu as coloco nas estantes. Para a cada vez que eu quiser me recordar dos meus próprios textos, relê-los. E assim lá vou eu me realizando. E chamo isto de meu sucesso. Literato premiado do interior. Claro, porque como eu mesmo disse, eu sou um escritor do interior. E como muitos o comprovam, escrever a gente escreve em qualquer lugar que a gente esteja. Basta ter aquela vontade de escreve, que alguns chamam devontade mesmo. Mas eu não sou assim. E é por isso que escrevo pouco. Deixei para a maturidade, a maturidade em que estou, a prática do esc...

CIDADÃO DO INTERIOR

 Depois que meu pai morreu, nos mudamos para a capital. Decerto os ares eram novos para nós, minha mãe e nós os sete irmãos. Compramos uma casa onde nos instalamos. Nos empregamos todos e começamos então aí nova vida. Nas ruas e avenidas os automóveis, os ônibus e os caminhões. Para atravessar uma via, tínhamos de esperar o sinal se abrir para nós os pedestres. Empregados fomos logo estudar. A chefe da nossa família era minha mãe. E que mãe ela foi sempre e até o fim. Decerto éramos humanos e como outro humano qualquer adoecíamos. E quem cuidava de nós era a mãe. Por fim eu a chamava de supermãe. Mas o mal estar que a cidade grande me causou foi o de ter que raciocionar depressa. A calma que me era costumeira ficou na cidade do interior onde nasci. Mas consegui estudar na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e não me formar. Parabéns para mim, dirá o leitor. Dirá outro parabéns quando eu disser, e vai ser agora, que um texto meu foi premiado na I Bienal do Livro de Belo Horizo...

MINHAS CONTRADIÇÕES

Contradições, quem não as tem? Eu creio que sou dono de muitas delas. Os fatos da minha vida, a esta altura, são inumeráveis. Tanto que de cor eu não sei quais são. Mas à medida que eu reflito, que eu penso, vejo as minhas ideias. E muitas vezes minhas ideias colidem entre si. Não sei se isso é natural, nunca vi outro confessar a mesma coisa. Mas é assim que comigo acontece. Tanto que pensei e julguei ser um fenômeno interessante e digno de ser registrado. Conquanto ainda é um fenômeno decente. Mas, meus fatos de vida são muitos. E as ideias que me passaram pela cabeça à medida que eu me fazia pessoa são as contraditórias. Porque penso em tudo o que me acontece. Ontem, hoje, me aconteceram muitas coisas. Mas o fato de ter de conviver com minhas contradições não me atrapalha a viver. Me faz é bem. E no que tange à minha literatura, me faz mais criativo. Só que eu que tenho que me manter no controle. E por isso desenvolvi meu autocontrole. Hoje em dia, as pessoas pensam. Pensar já não é ...

CADA UM COM SEU SONHO

Durante grande parte de minha vida, chegava na empresa onde trabalhava e procurava logo me ocupar. No fim do mês recebia meu salário e ia comprar livros e fazer o armazém. Me lembro de uma frase bíblica: "Nem só de pão vive o homem." Com o alimento para o corpo eu satisfazia o meu estômago. Com os livros eu alimentava o meu espírito. E mal dava ouvidos a uma parenta minha que dizia: "Os livros estão caros." Nem tão caros os livros eram assim. E com o corpo sem sentir fome eu me sentia fortalecido fisicamente, e com o espírito eu pensava na vida, na literatura, e podia ir até o Palácio das Artes admirar as obras de pintura ganhadoras dos últimos prêmios. Quer dizer, nem só de pão vive o homem, e estava lendo ali um livro de um padre, e ele diz: "Somos corpo e alma." Foi isto que me inspirou a vir até aqui e registrar isto que me veio à mente. A minha parenta ao dizer que os livros estavam caros, não o fazia por mal. Queria ela, talvez, fazer com que me sobr...

DA FILOSOFIA PARA LITERATO

Na minha vida eu não cometi insubordinações. No mundo do trabalho, talvez não tenham grandes e boas recordações de mim. É que sempre evitei as intrigas costumeiras. Ao invés de ficar conversando com os colegas e ouvir aquela indagação de sempre: - Como é que é fulano? - o outro fulano e se eu falasse, coitado do outro fulano! Eu ia ler nas horas vagas. E muitos de meus colegas ficavam sempre à beira da mesa de outros, fofocando. E num dos meus empregos, me aconteceu uma coisa ótima, a empresa que me empregava era bem vizinha da Faculdade de Filosofia. Foi assim que fiz os exames e lá estava eu frequentando o Curso de Filosofia. Fiquei alguns anos na Filosofia, e uma das chefes disse de mim: - Ele tem um potencial... Mas, eu em vez de ficar quieto ali, trabalhando e estudando, vi que não fora feito para a Filosofia. Desde menino eu sonhava é com a Literatura. No mundo da Literatura cabem os mais diversos autores. E na Filosofia o aluno tem que se especializar no estudo de algum Filósofo...

ESTOU BEM COMIGO MESMO

Depois de conquistar minha felicidade achei uma maneira de estar bem comigo mesmo. Acredito que ninguém vive sem algum tipo de fantasma. E o que eu chamo de fantasma? Aquele pedaço da memória povoado pelos acontecimentos marcantes de uma vida, principalmente isso. Podem ser as ilusões que o eu vivenciou. Podem ser fatos reais pelo qual o eu passou. E, às vezes, até sonhos que ficaram. Desses fantasmas e de alguns outros eu crio meus contos. Se ainda não disse, escrevo  periodicamente, contos que algumas editoras amigas publicam. E dos exemplares destas publicações o que eu faço? Remeto-os para bibliotecas, que são as melhores amigas dos leitores. Se meus contos estimularem os sonhos que os leitores sonham acordados, e se servirem de ânimo para a imaginação deles, está bom. Porque desses dois exemplos que dei se se tornarem realidade eu não ficarei sabendo. Mas uma coisa é certa. O publicado terá sido amigo dos leitores. E assim, quer dizer, pensando desta maneira, eu fico muito bem...

COM A ESPERANÇA

Muitas pessoas se enganaram a meu respeito, e não sei se ainda se enganam. Uma vez ouvi de um colega que um conhecido dele achava que todas as pessoas são iguais. Este dito não me sai da mente. Mas o que predomina mesmo em meu pensamento é um verso de uma canção de um inglês: "Imagine as pessoas vivendo suas vidas em paz." Claro para uma pessoa como eu, razoavelmente experiente, sei que nem todos concordam com esse verso. Não quero porém aprofundar esta questão. Estou aqui em busca de um modo de introduzir a palavra esperança. Esperança no meu espírito é uma palavra de profundo significado religioso que eu não traduzo. É-se preciso acreditar em ESPERANÇA como se acredita na VIDA. Espero não ter abusado da inteligência dos leitores. Mas na minha existência, eternamente interpelei pela esperança. E principalmente por esperança de dias melhores. E eis que enfim nesta cidade encontrei dias melhores. O que me possibilita escrever isto. Claro, quem escreve, ousa. Tanto ousa que pod...

EXISTE A FELICIDADE?

 Na vida passamos por momentos tormentosos. Nem todos nos amparam nesses momentos, pois se trata de momentos em que nossos sentimentos se afloram. E dos sentimentos falam que são muito pessoais. Aí eu acho que depende da formação do indivíduo enquanto pessoa. Para explicar, de modo a não deixar dúvida, fala-se muito de formação enquanto escritor, por exemplo. Aqui ignoro até a minha formação enquanto escritor. Vou falar um pouco de minha formação enquanto pessoa. Nasci e fui criado num lar católico. Cedo sofri a perda de meu pai. Fui ao mundo ver o que ele tinha para me oferecer. Não me perdi contudo. Fui soldado, fui trabalhador de escritório uma vida inteira e sonhei como todo ser humano sonha. Amei e me decepcionei. Derramei minhas lágrimas no travesseiro. Para no outro dia levantar-me e ir trabalhar. No trabalho recebi a mão amiga de colegas e o amparo de chefes. Não me queixo. Não me queixo nem da vida que levei, pois tive seis empregos. O que queria eu falar, chegou a hora, e...

DO SOFRIMENTO

Nós humanos estamos sujeitos ao sofrimento. E há sofrimentos de toda espécie. A maioria de nós aprende logo a superar suas dores. Mas há os mais sensíveis, e os que precisam de maior amparo por mais tempo. Mas não é dessa questões que quero tratar aqui agora. Quero falar é da solidariedade na hora que a dor vem. Em minha vida, aprendi a superar dores enormes com a simples vivência. E não me tornei uma má pessoa, que não sentisse tristeza quando outrem sofre. Mas uma vez pronunciei a palavra sofrimento para uma pessoa, e o vi o rosto dessa pessoa se tornar rígido como se a palavra sofrimento fosse a confissão de uma heresia. Com isso aprendi a não falar muito da palavra sofrimento. Podia ser que aquela pessoa tivesse algum dia sofrido muito na solidão. E não quisesse saber do sofrimento dos outros. Isto acontece. Mas uma pessoa me contou o seguinte: Tinha sido visitada por uma irmã dela, que era ao mesmo tempo sua melhor amiga. E no dia em que sua irmã se foi, ela precisou ir a rua. No ...

SOBRE A PAZ

Não vou escrever aqui sobre a paz mundial. Ela não está ao meu alcance. Pedindo por ela, rezo aos pés de Cristo, pedindo a Ele que ilumine nossos líderes. Mas posso falar dos corações pacíficos. Eu vi um cunhado meu ensinar aos filhos dele a como serem amigos. Ele ensinou aos filhos a viverem sem brigar desde pequenos. Ele dizia às crianças quando elas discordavam entre si: "Meus filhos, não briguem." E, com isso, os filhos dele hoje são amigos dele e entre si. E isso é paz. Eu e meus irmãos tivemos nossas brigas. Perdemos o pai muito cedo e minha mãe tinha que trabalhar. Mas, na medida em que fomos para o mundo do trabalho aprendemos que tínhamos que ser amigos entre nós. E isso é paz. E eu hoje católico de novo, a mais tempo assisti a uma missa onde o padre pregou, e da pregação do padre eu retirei uma frase que lhes apresento agora: "Quem pede paz, é porque tem paz no coração." 

COMO AS LETRAS VIVEM

Na minha vida as letras vivem sob os meus olhos, é claro. Mas, desde que me entendo por gente eu leio. Já disse que as letras fazem parte importante deste mundo. Mas sou um leitor principalmente da minha língua portuguesa brasileira, na qual também escrevo. E quando sou elogiado por escrever bem, vejo que de certa maneira dou vida às letras. Agora, há uma parcela de nossa população que lê no original a literatura estrangeira, dando importância à língua em voga. E digo isso sem a menor intenção de ofender a quem quer que seja. Mesmo porque com o mundo globalizado existe a necessidade real de saber pelo menos uma língua estrangeira. Mas, voltemos nossa atenção para o título desta postagem: como as letras vivem. Na medida em que escrevo aqui, as letras estão vivendo e eu estou me comunicando com o provável leitor. E as letras vivem é na pena dos escritores. E os escritores ganham mais vida é no uso da língua. Alguns destes escritores alcançam a alcunha de grandes criadores, aqui me refiro...

EU LEITOR

Eu enquanto leitor não sou fiel. Nem há porque sê-lo. Quando comecei a ler, lá se vão anos, li até autores norte-americanos traduzidos para a nossa língua portuguesa brasileira. Um deles: Morris West. Que se não me engano é ou era católico. Quando digo que "se não me engano" é porque não tenho certeza. E nisso não vejo falta alguma. Com o passar dos anos, à medida que ia tendo tempo, descobri Kafka, Murilo Rubião, e um professor, Massaud Moisés. O da 'A CRIAÇÃO LITERÁRIA'. E do leitor surgi como contista de pouca produção. Comemorar já comemorei o meu recente aniversário literário, que são os de dezessete anos de escrita e publicação. Mas é assim mesmo. Da leitura surge a ânsia de escrever literariamente. Eu leitor já tive na estante muito mais livros do que tenho hoje. Peço encarecidamente que não vejam nisso nenhuma esnobação. Mas sim, um depoimento. Se assim ocorrer, verei no meu leitor um gesto simpático de boas vindas aos seus olhos. E aqui estou eu leitor. Me re...

O ESCRITOR DEVE SER FIEL?

 Começo o dia com uma questão que acho pertinente. Pelo menos nunca a vi exposta e discutida. Já li, porém, em algum lugar, alguém escrever que o autor tal manteve-se fiel a si mesmo na escrita. Fiel no estilo, fiel no tema e no assunto, e por aí. Mas, me pergunto se o escritor deve ser fiel ao seu público. Respondo, acho que não. Principalmente num país como o nosso em que muitas vezes se cobra do escritor é ele nos dar coisas novas para ler. Poderíamos a partir daí problematizar o assunto. Creio que daria para gastar muitas palavras, mas não sei se chegaria a alguma conclusão. Teríamos porém a ideia lançada e se o escritor ou outro colega dele da área quisesse levar o problema adiante, teríamos uma nova disciplina a ser estudada. Aqui, o leitor pode me chamar de presunçoso. Não o sou. E me desculpo, explicando que  cheguei até aqui porque vim desenvolvendo o tema nesta postagem. Não sei se o desenvolvi bem. Mas levantei a questão. O escritor deve ser fiel?

PALAVRAS AO FIM DO DIA

 O dia vai terminando e eu venho poetar. Poetar sem rima e sem métrica. Você pode chamar este poetar de vagas palavras. E eu lhe digo que são palavras ao fim do dia, e nada mais. Nelas, contudo, eu coloco um pouco de meu coração. E meu coração é aquele  que ama o próximo como a si mesmo. E nestas palavras ao fim do dia, eu agradeço a Deus o fato de eu estar bem comigo e com você e se convencer de que poesia vale a pena. Vá e leia os bons poetas.

MINHA TRAJETÓRIA

 Vindo de minha terra natal para a capital mineira, me arrumei como estudante num colégio público. Interrompi os estudos, pois precisava trabalhar para me sustentar. E veio que arrumei trabalho no escritório de um banco cuja administração me enviou para Curvelo. Lá estava eu novamente no interior. Mal tive tempo de experimentar em como seria minha vida na capital. Fiquei um ano no banco em Curvelo. Completado aquele ano, voltei para Belo Horizonte, trabalhando no mesmo banco. E cada um tem o seu merecimento na vida. E assim adoeci. Precisei de um tempo para me restabelecer, e tirei uma licença de saúde. Mas eu tinha urgência, minha família era numerosa, éramos sete irmãos e minha mãe. Minha mãe logo prestou provas para um concurso de enfermeiras. Passou nas provas e foi contratada. Uma irmã minha também fez concurso e foi bem classificada. Logo estava trabalhando. E todos foram se arrumando lá em casa. Eu pensei, já que me fora recomendado um trabalho mais leve que o anterior, pens...

A SUPERAÇÃO

Se eu fosse contar uma estória de amor ou desamor, nestes áridos tempos, ninguém daria fé. Mas posso narrar um caso não fatual de superação. Não fatual porque assim eu evito dar nomes de pessoas. Mas eu vivi um grande caso de amor. Eu, pelo menos, amei com intensidade de sentimento. E, de repente, o caso acabou. Foi quando eu ouvi uma frase: "Dê tempo ao tempo." E eu dei tempo ao tempo. E vivi a superação e eis-me aqui curado, sem querer voltar a amar. Ao invés disso transferi meu sentimento para o próximo, seguindo a máxima religiosa 'Amai o próximo como a si próprio'. Vivia eu afastado da religião. Sendo que fui batizado e crismado na Igreja Católica. Até a maioridade segui a religião católica fielmente, tendo inclusive uma fé intensa em Deus. Jesus Cristo me protegeu tanto que aqui estou hoje vivo e religioso. Sigo o catolicismo como leigo. Numa época de minha vida, uma pessoa muito ligada a mim, e muito preocupada comigo, me tomou pela mão e me disse: "Vamos ...

SANJOANENSE

Nasci e vivi até a adolescência em São João del Rei, Minas Gerais. Tive a infância sob a guarda de meu pai e minha mãe. Naquele tempo os avós que conheci foram os pais de minha mãe. E minha avó materna me apelidou de Menino de Ouro. Devido ao meu bom comportamento na vida. Cedo eu demonstrei meu gosto cuidadoso com os estudos. E estudando em um ginásio de frades franciscanos aprendi que a humildade é uma virtude. E mesmo assim, aprendi também que na vida nós devemos aprender a nos defender. E me defendendo, tanto que estou vivo, vou pelo caminho com humildade. Neste século XXI eu olho ao redor e canto junto com Milton Nascimento: Procurando amigo, procurando amiga. Até hoje?, dirá você perplexo. E eu responderei que procurar amigo ou amiga tem para mim, esta expressão, um pleno sentido que se eu ouvir de alguém, até hoje?, já sei que quem pergunta não está para amizade. Dizendo assim, parece grosseria minha, talvez até seja, mas é o que eu sinto ao ouvir: até hoje? E aqui estou a escre...

2019

Moro e vivo nesta pequena cidade do interior mineiro. Satisfeito da vida. Tinha vindo da cidade grande. E minha empregada, percebendo meu estado de espírito, um dia me disse: "Veio atrás de sossego e encontrou." Eu sorri. E ela me perguntou se meu sorriso era mau. Eu disse que não. Que aqui encontrei realmente paz e sossego. E aqui quase não vou à rua. Ou melhor, ia à rua quando tinha que ir à agência dos CORREIOS buscar correspondências. Depois cancelei as minhas idas até lá, porque colocaram um funcionário na função de carteiro. Louvável seja o carteiro. Não uso o plural para carteiro porque não sei se em todo o interior há um carteiro. E o carteiro me traz as cartas. E estava um dia lendo, quando o carteiro entregou o que tinha que entregar. A empregada veio me trazer o envelope. Minha mãe era ainda viva. Eu abri a correspondência. E o que havia dentro do envelope? Um diploma. Eu acabara de receber o DIPLOMA DE PERSONALIDADE LITERÁRIA 2019. Quem me concedera a diplomação f...

ESTE FIM DE SEMANA

Chego a este fim de semana e meu coração está em festa. Praticamente estreio neste blog. E me lembro de um amigo a quem contei sobre meu sonho de escrever literatura. E ele me indagou: "Você tem facilidade de escrever?" Eu me calei. Ele não soube que escrever era um sonho meu. E eu não fui longe na conversa, não contei a ele que eu tinha dificuldade em conciliar meu trabalho remunerado para sobreviver com a escrita literária. E enquanto trabalhava para ganhar a vida, eu treinava a escrita, à noite quando chegava em casa. Tomava um banho, banho descansa o corpo. E ia escrever, mas não tinha coragem de mostrar a ninguém. E vi que escrever bem me era possível depois que estudei Filosofia sem me formar. E em suma, se eu fosse escrever uma FILOSOFIA DA VIDA, eu narraria era isto. A conciliação entre o trabalho para sobreviver e o trabalho literário. Mas estou feliz porque acho que se não tivesse acontecido primeiro o trabalho e depois a escrita, eu não estaria aqui neste fim de se...

UMA VIDA UM POUCO DIFÍCIL

Quando consegui meu primeiro emprego, dei loas aos meus estudos e às minhas leituras. Claro, graças a isso eu falava bem, e consegui desempenhar no trabalho as tarefas que me davam. Além de conseguir fazer progressos, pois já estava acostumado a aprender depressa. Quanto a escrever, eu me disse: "Deixe isso para depois, porque escrever é 'a vaidade das vaidades". Já o dizia, se não me engano, Machado de Assis, nosso maior mestre. E eu nem sabia se um dia eu ia conseguir sentar-me e escrever. Claro, sabia menos ainda sobre o que escreveria. Tive dificuldades na vida. Daí o título que dei a esta postagem. Mas, quem não tem dificuldades na vida. Uns tem maior facilidade de resolver os problemas que a existência impõe. Eu fui me resolvendo na medida do possível. E, não estou tão velho que não possa me exibir escrevendo. Porque na minha opinião escrever vai além das vaidades. Escrever é também um ato de doar-se. Eu, um dia, estava conversando com uma amiga minha, e ouvi dela: ...

A PRIMEIRA NAMORADA

 Lá se vão os anos de minha juventude. Eu a conheci num baile. Era num clube social e eu a chamei para dançar ao som de uma canção romântica. No palco montado para os músicos, tocava e cantava um grupo carioca. Tinham vindo a Minas contratados para aquilo. A canção era doce. Romântica, como pedem os namorados. E depois do baile eu fui levá-la em casa. No caminho fomos conversando. E voltei para minha casa com o coração disparado. Custei a dormir. No outro dia escrevi uma das minhas poesias. Estava era entusiasmado. Mas pude revê-la e aí meus olhos se incendiaram. Eu a achei bela. E ela sorriu. Precisava mais? Hoje, eu aqui me lembrando, sinto uma pena de mim, imensa. Sim, foi a minha primeira namorada. E eu estava no meu primeiro emprego. Depois vagaria por mais cinco empregos. Mas, não sei, acho que homem nenhum esquece o primeiro amor. Estava ali, parado numa esquina, já divorciado, quando para diante de mim uma mulher. E me pergunta: 'Lembra de mim?' Eu a fito com devagar e ...

"Eu me amo, mas não me admiro."

 Quem pronunciou pela primeira vez a frase acima, foi Érico Veríssimo, numa entrevista a jornal. Eu a li e nunca me esqueci da frase. Além de ser belíssima é plena de sentido. Pelo menos para mim. Nunca fui homem de grandes feitos, então perguntarão porque eu também me amo, e não me admiro. Ora, o homem que vive diante do espelho a olhar para si, é talvez Narciso renascido. Esta, o olhar-se num espelho, é uma maneira evidente de admirar-se. Há outras maneiras, mais difíceis de definir que também são a de admirar-se. Eu julgo que a pior delas é a admiração constante perpetrada pelo pensamento. Porque nos tira todo o espaço que temos de pensar em outras coisas. Inclusive a de pensar em Deus, e pedir que nos conserve íntegros e humildes neste mundo. Então quando eu oro eu peço a Deus que vá me dando todas as maneiras de entender este dito do grande escritor gaúcho. "Eu me amo, mas não me admiro." Claro, enquanto a gente conserva o amor próprio, a gente é íntegro. E enquanto a ge...

O ESCRITOR E SEU CÃO

Parei de escrever durante alguns momentos e fui descansar na varanda. Sentei-me na cadeira que lá há e logo meu cão se aproximou. Ofereceu-me a cabeça para que eu o acariciasse. Eu de fato o acariciei. O meu cão se afastou e eu acendi um cigarro. Lá fumando eu fiquei e me coloquei a pensar. No meu pensamento de humano eu imaginava estórias. Passavam-se várias estórias e eu logo as esquecia. Até que resolvi entrar e vir para o meu quarto-estúdio. O que eu chamo de meu quarto-estúdio é um cômodo confortável, sem luxo, onde eu pus o meu computador, minha mesa de trabalho e minha cama. De modo que se eu acordar no meio da noite e quiser escrever, está tudo ao meu alcance. Chegando eu pensava era no meu cachorro. Que no mais das vezes eu chamo de meu cão. Ele está comigo há vários anos. Primeiro foi achado na rua e cuidado por uma grande alma afeita a cães. Ela o vendeu a mim e me o entregou aqui na minha casa. E eu tenho cuidado dele com verdadeiro afinco. Meu cão se afeiçoou a mim e vamos...

O INTRUSO (Estória)

Era um homem comum, como eu e como você, se eu estiver certo. Dobrava uma esquina e eu que o via não sabia para onde ele se dirigia. De repente entrou numa casa rosa. Eu que sou curioso me coloquei numa posição de onde podia ficar observando. E obtive bom resultado. Em pouco tempo eu o vi sair de mãos dadas com uma mulher. Minha curiosidade foi longe. O que fiz? A única coisa que podia ter feito. A passos lentos, de modo a poder acompanhá-los, caminhei atrás do casal. De repente, me senti completamente tolo. Porque eu fazia aquilo? Não soube me responder. Mas parei de pensar e de caminhar na direção contrária a do casal. Voltei a segui-los. E eis que vi: entraram noutra casa. E o homem saiu só. Não resisti e fui bater com os nós dos dedos na porta da casa de onde o homem saiu. Me abriu a porta uma  velhinha muito simpática. E ela me perguntou: 'Procura por quem?' Eu não hesitei, disse que era pela mulher. E, surpreso comigo mesmo, descrevi minuciosamente a mulher com quem o hom...

DE EFETIVO, POR ENQUANTO, NÃO FIZ NADA

Escrevia eu a minha trajetória até chegar aqui. Num espaço deste blog. E louvava o meu bom sucesso de estar escrevendo neste computador. Mas, esqueci-me de um detalhe importante. É que dirigindo-me ao caro público neste século XXI nem sei bem a quem me dirijo. Então porque o detalhe é importante? Porque entra em cena o fator pecuniário. Já está esclarecido isto também. Estou aposentado. Então porque escrevo? Porque escrever para mim é tão importante quanto dormir, por exemplo. E aqui estou. Não quero me sacrificar contudo. Não sou herói da escrita. Amo-a e tento fazer um trabalho limpo. Qualquer dia desses eu vou contar uma estória. Vou procurar contá-la da melhor melhor maneira que sei. Não estou me gabando, vejam bem. Nem mesmo sei se terei talento para contar uma estória que prenda a atenção. Mas até os escritores tentam. Eu não gosto de falar que todos tentam. Mas sou dos que tentam. Que Deus me abençoe até chegar o dia de contar a estória. E que Ele me abençoe também de modo a eu ...

SE ME PERGUNTAM DE MINHA OBRA

Além de ter ido à capital, pedi ao livreiro um livro intitulado "QUAL A TUA OBRA". Enquanto o livro não vem, aqui estou ansioso por ele. E na minha ansiedade me pego pensando. E o que eu penso é: 'Se me perguntam de minha obra.' Sem dúvida se me perguntam de minha obra, se a pergunta vier sem malícia, eu me entusiasmarei na resposta. Principalmente porque eu amo minha obra. E pobre do homem ou mulher que fizer um trabalho de qualquer espécie sem amor. Porque segundo eu penso aquele que põe o sentimento no que faz, se lembrará do que fez com o mesmo sentimento. E certamente eu o apreciarei mais e bem e da mesma maneira ao seu trabalho. Não que ele se sentirá á vontade para cobrar mais caro pelo que fez. Aí, eu não o admirarei, nem a ele, nem a ela. Espero ter dado sentido ao que eu quis dizer. E ergo a mão aos Céus, me dirigindo a Deus, para pedir bençãos para que estas palavras sejam bem compreendidas.  

SOU DA VELHA GUARDA LITERÁRIA

Estive andando de carro com meu irmão. E, conversa vai, conversa vem, ele me perguntou: "Quando você escreve, você é pós-moderno?" E eu educadamente respondi: "Eu nem sei o que é isso." Mas a pergunta dele me inquietou. E fiz algumas leituras sobre o pós-moderno. E constatei que eu era mesmo da velha guarda literária. O que me confortou. Não me prende de forma alguma a nenhuma escola literária o simples fato de eu gostar de ler e escrever. Li até em um Manual de Filosofia, sobre uma maneira de conviver com o pós-moderno. Larguei o Manual e me voltei à simples leitura dos meus velhos amigos Filósofos e outros Literatos. Mesmo porque eu não sou profissional. Arrecado o simples prazer de ver um trabalho meu publicado. O que muitas pessoas que me cercam custaram a compreender. Ouço até que não gostam do que escrevo, mas me consolo quando alguém me diz: "Eu aprecio sua escrita." 

FUI Á CAPITAL

 Cheguei ontem da capital de Minas. Fui lá para comprar livros. E trouxe livros de Filosofia, que eu gosto de ler. E é lendo-os que me inspiro para a minha literatura. Já disse que espero madurar na minha escrita. Não sei se esse processo é longo e se já cheguei ao ponto do qual não passo. Mas não importa, vou escrevendo e pensando que vou além do tomar notas. O que quer dizer que espero surgir daqui páginas escritas. Escrevo devagar, mas sem dificuldade. Estou aqui pensando em daqui a pouco ler Filosofia. Filosoficamente não tenho uma linha. É que estudei mas não me formei, o que quer dizer que não defendi na academia nenhuma tese. Mas, minha mãe vendo-me ler Filosofia, me disse: "Meu filho, Filósofos costumam ser figuras eminentes. E um escritor tem o privilégio de ser um homem comum." Me lembrando destas palavras, escrevo aqui que fui à capital e voltei cedo, saí de manhã e voltei à hora do almoço ontem.

O ESCRITOR SE EXIBE DE GRAÇA

Eu não passei um longo período de tempo em jejum da escrita. Inclusive fiz dezessete anos de vida literária. Não muito rica esta vida, mas bastante festejada. E digo rica no sentido de qualidade. Eu mesmo sei que a qualidade literária surge de um processo de maturação da escrita. Hoje aqui escrevendo e me dizendo exibido de graça eu não sei dizer se madurei literariamente. A gente às vezes pensa que sim, mas a gente às vezes também se engana. Quando eu me coloco escrevendo de graça aos seus preciosos (sem ironia) olhos, leitor, sei que o juiz da minha escrita é você. Me aventuro contudo por estes mundos editoriais. Poderia acrescentar que não tenho ganho. Mas para que? Falar em ganho numa hora dessas é desperdiçar palavras. E noutra hora, com outro assunto, talvez fosse salutar gastar palavras. E eis que me exibi de graça, quando o meu objetivo era só trocar de título essa paisagem. 

O PRESENTE

 Quando meu pai morreu, minha mãe me deu a máquina de escrever dele de presente. O problema é que nós os filhos, por problemas de finanças da família, tivemos que nos dirigir ao mundo do trabalho. O trabalho a que me dirigi exigia muito de mim, em termos de hora gastas para trabalhar. E o meu sonho de me tornar escritor ia ficando difícil. Antes do meu primeiro emprego escrevi minhas primeiras coisas. Daí em diante tive seis empregos. Não suportava a competitividade nos empregos. Defeito meu ou não, esta dificuldade era real. Fiz as provas para admissão ao curso superior de Filosofia. Aprovado, escutei de um colega uma coisa de que não me esqueço: "Não se pode é ficar crente." E, realmente, nunca fui crente de que por ser admitido na Filosofia, já era filósofo. Sabia que para isso me esperava um longo caminho a percorrer. Mal dos males, me vi desempregado pela primeira vez. Quem me consolou? Foi minha mãe. E foi ela quem me disse: "Meu filho, reze que tudo se arranje....

O ESCREVER

Escrevia DRUMMOND, certa vez, que escrever é como dar duro às palavras com o fito de colocá-las em ordem e torná-las agradáveis. Eu venho aqui e registro certas impressões deste duro ofício, o de escrever. Começo hoje, escrevendo sobre o nosso poeta maior. E quem sou eu para equiparar-me a ele. Para que possa continuar a escrever, rogo a Deus paciência comigo e também bençãos sobre minha mão. É, porque mesmo na era do computador pessoal, preciso de minhas mãos. Então, que se estas bençãos forem concedidas, que recaiam sobre minhas mãos. E vou escrevendo, e com toda modéstia espero que o leitor se agrade de meus escritos. Neste momento, não estou escrevendo nenhuma estória. Estórias são mais apropriadas para agradar. Não sei como classificar o que ora anoto. Talvez depois de escrito e eu relendo eu me diga o que é. Por enquanto, fica sendo uma ligeira crônica de um amanhecer no quarto-estúdio de um escritor sem fins lucrativos. E que Deus me abençoe durante este dia. 

VERDADES E IMPRESSÕES

 Existem pessoas pelo nosso globo. Imaginem se todas elas fossem portadoras da posse da verdade. Ou, então, se falando uma língua estrangeira fossemos visitar a terra desta língua. E lá chegando levássemos conosco, não uma novidade que a eles interessassem, mas a verdade. Estaríamos assim interferindo até na religião de um povo estrangeiro. O que não deve ser feito, a bem da boa educação e respeito àquele povo. Agora, mesmo entre nós, imaginem se alguém se disser e nos disser: Trago a verdade. Nós aqui em nossa terra não aceitaríamos esta pessoa como um dos nossos. E lá no estrangeiro o portador da posse da verdade.... não sei o que aconteceria com ele. Mas, para o que quero dizer, é simples mencionar que nós temos, como indivíduos, experiências diferentes acerca de inúmeras coisas. E que dada a curta duração da vida, um indivíduo não consegue experimentar de tudo enquanto vivo. Portanto, nenhum indivíduo pode nos dizer a verdade total acerca dos assuntos terrenos. E não estou fala...

AINDA FALANDO DE MIM

Comecei nas Letras escrevendo um ensaio a que intitulei O MÁGICO REAL. Com ele concorri a um prêmio de algum prestígio e venci. Na minha vida eu já vinha escrevendo, mas sem mostrar. Daí em diante ganhei mais alguns concursos literários. E lá vou eu publicando em antologias e coletâneas. Publico contos, poemas e crônicas. Mas muito antes disto tudo, quando menino, vivi de sonho em sonho, até que um dia me disse: 'Siga sua vida, viva e trabalhe, porque você precisa sobreviver.' E foi o que eu fiz. Fiz e sobrevivi. E sobrevivendo pude comprar sempre livros e lê-los. Aprendi a amar certos autores e autoras.E quando recebo um elogio, agradeço reverente. 

UM POEMA PARA O DIA

 Saí de casa cedo, lá estava o sol. Brilhava no alto e eu me perguntei se haveria chuva. Passei  o dia todo viajando num automóvel e não caiu nem um pingo de chuva, Chego em casa para almoçar e está tudo em ordem, então me alegro e como é boa a alegria.