O ESCRITOR SE EXIBE DE GRAÇA

Eu não passei um longo período de tempo em jejum da escrita. Inclusive fiz dezessete anos de vida literária. Não muito rica esta vida, mas bastante festejada. E digo rica no sentido de qualidade. Eu mesmo sei que a qualidade literária surge de um processo de maturação da escrita. Hoje aqui escrevendo e me dizendo exibido de graça eu não sei dizer se madurei literariamente. A gente às vezes pensa que sim, mas a gente às vezes também se engana. Quando eu me coloco escrevendo de graça aos seus preciosos (sem ironia) olhos, leitor, sei que o juiz da minha escrita é você. Me aventuro contudo por estes mundos editoriais. Poderia acrescentar que não tenho ganho. Mas para que? Falar em ganho numa hora dessas é desperdiçar palavras. E noutra hora, com outro assunto, talvez fosse salutar gastar palavras. E eis que me exibi de graça, quando o meu objetivo era só trocar de título essa paisagem. 

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