EXISTE A FELICIDADE?
Na vida passamos por momentos tormentosos. Nem todos nos amparam nesses momentos, pois se trata de momentos em que nossos sentimentos se afloram. E dos sentimentos falam que são muito pessoais. Aí eu acho que depende da formação do indivíduo enquanto pessoa. Para explicar, de modo a não deixar dúvida, fala-se muito de formação enquanto escritor, por exemplo. Aqui ignoro até a minha formação enquanto escritor. Vou falar um pouco de minha formação enquanto pessoa. Nasci e fui criado num lar católico. Cedo sofri a perda de meu pai. Fui ao mundo ver o que ele tinha para me oferecer. Não me perdi contudo. Fui soldado, fui trabalhador de escritório uma vida inteira e sonhei como todo ser humano sonha. Amei e me decepcionei. Derramei minhas lágrimas no travesseiro. Para no outro dia levantar-me e ir trabalhar. No trabalho recebi a mão amiga de colegas e o amparo de chefes. Não me queixo. Não me queixo nem da vida que levei, pois tive seis empregos. O que queria eu falar, chegou a hora, enquanto colegas se queixavam de não estar ganhando fortunas, eu me fazia feliz. E qual era a minha felicidade? Passar por um morador de rua e estender-lhe uma nota de pouco valor. Eu nem lhe perguntava o que ele ia fazer com o dinheiro. Não é assim que são as coisas? Quando se dá um presente a propriedade do objeto muda desde que o presente é recebido. E digo: a felicidade existe. Cada um é feliz à sua maneira, desde que esta maneira seja decente. E, portanto, a felicidade existe. Um escritor é feliz escrevendo. E está sujeito a críticas. Existir é uma maneira de ser feliz. E fazer a crítica ao modo de existir, é uma coisa que existe em nossa sociedade. Se a sua felicidade receber parabéns, digo-lhe: isto é crítica plena. Então, a felicidade existe.
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