DA FILOSOFIA PARA LITERATO
Na minha vida eu não cometi insubordinações. No mundo do trabalho, talvez não tenham grandes e boas recordações de mim. É que sempre evitei as intrigas costumeiras. Ao invés de ficar conversando com os colegas e ouvir aquela indagação de sempre:
- Como é que é fulano? - o outro fulano e se eu falasse, coitado do outro fulano!
Eu ia ler nas horas vagas. E muitos de meus colegas ficavam sempre à beira da mesa de outros, fofocando. E num dos meus empregos, me aconteceu uma coisa ótima, a empresa que me empregava era bem vizinha da Faculdade de Filosofia. Foi assim que fiz os exames e lá estava eu frequentando o Curso de Filosofia. Fiquei alguns anos na Filosofia, e uma das chefes disse de mim:
- Ele tem um potencial...
Mas, eu em vez de ficar quieto ali, trabalhando e estudando, vi que não fora feito para a Filosofia. Desde menino eu sonhava é com a Literatura. No mundo da Literatura cabem os mais diversos autores. E na Filosofia o aluno tem que se especializar no estudo de algum Filósofo. Quem sou eu? Além de não ter tempo para me dedicar exclusivamente à Filosofia, estudar um Filósofo até ter uma ideia para uma tese...
Me aposentei e passei a viver com minha família. Até o dia em que, nós morando na capital, escutei de minha mãe:
- Quer me acompanhar de mudança para o interior?
- Quero, mãe. - respondi.
E viemos com tudo, E aqui estou. E aqui sou feliz.
Quando às vezes digo à empregada que trabalha aqui:
- Quase filósofo, eu.
Ela retruca:
- Filósofo.
E então me lembro de um dito:
"-Não pode é ficar crente!" - dito de um ex-colega.
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