O INTRUSO (Estória)

Era um homem comum, como eu e como você, se eu estiver certo. Dobrava uma esquina e eu que o via não sabia para onde ele se dirigia. De repente entrou numa casa rosa. Eu que sou curioso me coloquei numa posição de onde podia ficar observando. E obtive bom resultado. Em pouco tempo eu o vi sair de mãos dadas com uma mulher. Minha curiosidade foi longe. O que fiz? A única coisa que podia ter feito. A passos lentos, de modo a poder acompanhá-los, caminhei atrás do casal. De repente, me senti completamente tolo. Porque eu fazia aquilo? Não soube me responder. Mas parei de pensar e de caminhar na direção contrária a do casal. Voltei a segui-los. E eis que vi: entraram noutra casa. E o homem saiu só. Não resisti e fui bater com os nós dos dedos na porta da casa de onde o homem saiu. Me abriu a porta uma  velhinha muito simpática. E ela me perguntou: 'Procura por quem?' Eu não hesitei, disse que era pela mulher. E, surpreso comigo mesmo, descrevi minuciosamente a mulher com quem o homem tinha entrado. A velhinha não pensou. Me fez entrar. Me levou até a um quarto que estava com a porta aberta. Lá havia uma cama. Na cama havia uma mulher. E a mulher me disse: 'O senhor é o médico que marcou de vir me examinar aqui?' Eu me espantei. Disse a ela: 'Não, a senhora está enganada.' E já ia saindo. Quando a policia me deteve ali dentro da casa mesmo. E segui, mesmo sem entender nada. Simples, a velhinha tinha chamado a polícia e me acusara de intruso.
 

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