O ESCRITOR E SEU CÃO
Parei de escrever durante alguns momentos e fui descansar na varanda. Sentei-me na cadeira que lá há e logo meu cão se aproximou. Ofereceu-me a cabeça para que eu o acariciasse. Eu de fato o acariciei. O meu cão se afastou e eu acendi um cigarro. Lá fumando eu fiquei e me coloquei a pensar. No meu pensamento de humano eu imaginava estórias. Passavam-se várias estórias e eu logo as esquecia. Até que resolvi entrar e vir para o meu quarto-estúdio. O que eu chamo de meu quarto-estúdio é um cômodo confortável, sem luxo, onde eu pus o meu computador, minha mesa de trabalho e minha cama. De modo que se eu acordar no meio da noite e quiser escrever, está tudo ao meu alcance. Chegando eu pensava era no meu cachorro. Que no mais das vezes eu chamo de meu cão. Ele está comigo há vários anos. Primeiro foi achado na rua e cuidado por uma grande alma afeita a cães. Ela o vendeu a mim e me o entregou aqui na minha casa. E eu tenho cuidado dele com verdadeiro afinco. Meu cão se afeiçoou a mim e vamos dividindo o espaço que temos. Dou a ele ração todos os dias. Inclusive nos fins de semana. Durante o dia ele late muito. Não pode ver nada, lá está ele latindo.
E então comecei a escrever isto. Paro um pouco e penso em como continuar. De tanto que ele late eu sei que ele incomoda os vizinhos. Mas até hoje nunca veio vizinho nenhum reclamar. E agradeço à divindade por isso. Certa vez ele adoeceu. Eu tive de chamar o veterinário. Ficou caro todo o cuidado que tivemos com ele. Mas resolveu e logo ele voltou a latir. No período em que ele ficou fora, na clínica veterinária para tratamento, eu realmente senti falta dele. Fiquei imaginando se o que eu sentia não era uma espécie de dependência afetiva. Não sei se isso existe porque o nome de dependência afetiva fui eu que arranjei. Deve existir, sei lá.
Paro novamente de escrever. Me levanto do meu computador. Que deixo ligado, em tela de descanso. E volto à varanda.
Senti vontade repentina de rever meu cão. O espaço que dividimos juntos é só o da varanda. E junto mesmo, eu e meu cão, só quando eu vou até lá. Me lembrei neste instante de várias poesias que se referiam a cães. Havia uma que se intitulava "Meu cão Veludo". Acho que é isso. Faz tanto tempo que não leio nenhum poema sobre cães. Mas que existem poemas para os cães e sobre eles, existem. E fica mais este escrito de que falo de mim, um pouco, e de meu cão.
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