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Mostrando postagens de setembro, 2024

TRIBUTO

Em primeiro lugar sou grato a Deus e à Vida. E agora quero lhes falar sobre o sentimento que mais me nutre. É a gratidão. Quando iniciei os meus estudos de Filosofia, a mestra nos ensinou que a Filosofia é a ciência sem certeza. Li bastante Filosofia, indo aos livros dos filósofos. Também gostava de manuais de Lógica Formal, que deixaria de ler depois. Mas uma coisa me ficou, que eu trazia comigo desde antes de iniciar aqueles estudos. Eu sempre seria grato. E fiquei grato à mestra. Ela viria a morrer dando aulas de Filosofia. Como eu fiquei sentido. Mas tudo passou. All the things passam. Hoje aqui me lembrando disso, eu sou um homem grato. E portanto o sentimento que mais admiro numa pessoa é a gratidão. E como sou grato à minha mãe. Minha mãe me permitiu ir e trabalhar, e estudar. Era um época difícil para os estudantes de Filosofia. Mas eu não era subversivo. Nem muitos dos que foram sacrificados, Deus sabe lá por que e por quem. Eu sempre fui um homem de poucos amigos. E hoje vivo...

SOBRE A SOLIDÃO

Trabalhei há anos numa biblioteca. Eu era o único funcionário homem lá. Elas, as biblitecarias, assim que terminavam suas tarefas, conversavam um pouco para logo em seguida recomeçarem. Numa dessas, um dia eu ouvi a conversa delas. Nada de mais, elas falaram sobre uma conhecida em comum. O caso é que essa conhecida vivia muito sozinha. Não me lembro o que eu pensei ou senti sobre isso naquela hora. Mas hoje, eu acabei de rezar a minha missa pela TV, e me veio a lembrança desta conversa. Estou aqui só, sozinho, passando o meu sábado como passo todos os meus sábados. E lembrando da conversa, pensei em mim hoje.  Estou só, sozinho. Mas não me queixo. Acho até bom, porque logo cedo fiz meus exercícios de fisioterapia, dei minhas caminhadas e tomei meu banho. E é só, sozinho, que sentei-me à minha mesa de trabalho e li um pouco. Li um pouco a poesia de Emily Dickson. Ler poesia me fascina, e como diz a minha empregada, é a hora em que eu viajo. E é mesmo uma viagem nas palavras dos poet...

DE VOLTA DAS FÉRIAS

Eu tenho uma empregada muito inteligente. Ela se chama Zózima e hoje acabou de voltar das férias. Está numa alegria imensa. E vendo-a sorridente eu também participo da alegria dela. Ela acaba de casar a única filha que tem. Educou a menina e a menina saiu também inteligente como ela. Eu digo menina mas é uma jovem mulher de vinte e cinco anos de idade. Zózima tem aqui em casa doze anos de tempo de serviço. E foi com um prazer (digo com um prazer, no melhor sentido da expressão) imenso que a recebi. Eu coloquei os parênteses porque hoje em dia esse negócio de dizer com um prazer, a gente não pode sair dizendo por aí. As pessoas vivem suspeitando do sexo até dos anjos. Ah, já falei até demais. Mas eu posso dizer que eu tenho setenta anos. E que sou da velha guarda até no me dirigir às pessoas. E talvez eu tenha de aprender um modo de me dirigir às pessoas em que elas não misturem as coisas. É por isso que li no jornal SUPER que tudo está muito perigoso. E está mesmo. Mas vamos falar de o...

AS CRIANÇAS

 Conheci a Mércia primeiro através de uma foto. Disse Mércia, mas é a Sra. Mércia, pois ela é casada. Que seja. A sra. Mércia controlava com todo o seu jeitinho um bocado de crianças. O que me encantou na foto foram exatamente as crianças. Era o festejo de alguma data que as reuniu. E quem estava no controle era a sra. Mércia. Depois fui convidado para um casamento. A mãe da noiva era amiga da sra. Mércia. E amiga minha também. O casamento se encerrou sem nenhuma bagunça. Eu estava me retirando quando a minha amiga me pega uma surpresa. Estava na saída e a mãe da noiva me chamou e me apresentou a sra. Mércia. Surpreso, me lembrei de que eu tinha dito ser a sra. Mércia uma gênia. E tive a oportunidade de dizer isso à sra. Mércia. Que foi muito agradável comigo. E agora estou aqui me lembrando. E pensando numa reportagem que li numa revista semanal. A reportagem dizia que o Brasil está cheio de gênios. Nem é preciso sair por aí em procura destes gênios. Devemos é valorizar quem traba...

O ELOGIO

A gente sente saudades das pessoas, é natural num coração que ama o gênero humano. Mas, deve-se saber a quem amar. E eu não estou dizendo só de amar a um parceiro de vida inteira. Estou também me referindo a amar o próximo como a si mesmo. E isto está tão difícil no nosso tempo. Por todos os motivos. Mas vamos mudar de assunto. Eu ouvi de uma mocinha que veio me ajudar aqui em casa: - Não devemos nos gabar. Era ela uma mocinha muito simples, e o que ela me disse é verdadeiro. Não devemos nos gabar mesmo não. Quem conta muita vantagem faz papel de bobo da corte. E agora vamos novamente mudar de assunto. Eu como escritor, tenho um pouco de vaidade pelo fato de escrever. Isso é humano. Conseguir colocar no papel em branco, ou aqui no word, as palavras que traduzem o que penso e sinto tem lá sua dificuldade. E quando se consegue o feito a gente se envaidece. Machado de Assis, o nosso grande autor, disse do ato de escrever ser "A vaidade das vaidades." Por aí se vê que desde o tem...

MEU CORAÇÃO HUMANO

Vou aqui renovar minhas confissões. Como já disse no trabalho formal cheguei a escriturário. Nunca trabalhei tendo em mente o enriquecimento. Talvez por isso tenha dado certo o meu caminho. Mas estava eu lá pensando em aposentadoria e me ocorreu que eu podia fazer muito por mim depois. Então me arrisquei e escrevi um texto que mandei para concurso. Fui premiado e vim para cá acompanhando minha mãe. Chegando aqui fui novamente premiado e tenho medalhas e diplomas nas paredes. O que muito me gratifica. De modo que me tornei, de escriturário, escritor. Um cidadão que me conheceu, no intuito de invalidar meu esforço criativo, me chamou de pequeno. Pequeno somos se na nossa alma não cabe nada mais do que o ouro. Já cantava Carlos Drummond de Andrade: "Meu coração é maior que o mundo." Verso que muitos tentaram diminuir, falando mal do poeta. Mas eu guardo no meu coração os versos que ele escreveu. E vibro de emoção quando escrevem dele: "É já um clássico." Eu procuro por...