A TIA E A MINHA ESCRITA
Lá pelos anos 1980 conversando com uma tia minha, ela me disse:
- Porque você não escreve para uma coletânea de textos.
Tínhamos nós lá em casa saído de um período de aperto na vida. E melhoramos sensivelmente. E me surgiu um emprego, donde eu arranjei um dinheiro. Logo procurei entrar em contato com a editora de uma coletânea, enviando-lhe um conto meu. E deu certo. Sorri de canto a canto da boca, claro. Logo estava eu vendo um texto meu publicado.
E assim é que vim até hoje publicando. Hoje eu tenho a meu dispor quatro editoras. Não escrevo muito por ano, para não me acumular de trabalho. Sou feliz, porque sempre tive vontade de mostrar coisa minha publicada. Assim também fui aceito por três Academias de Letras de gente do interior e uma do Rio de Janeiro.
Li Ignácio de Loyola Brandão usar uma expressão de que não gosto especialmente, e que é: "Alegres oitenta" para se referir aos anos 1980.
Mas ele não ignora que para grande parte do povo brasileiro as coisas melhoraram. Hoje vejo muitos jovens adquirindo seus automóveis e suas motos. A juventude sonhava com isso. Alguns até se casam.
Eu continuo sem saber dirigir moto ou automóvel. Mas isso tem a ver com minha estória pessoal. E escrevo, principalmente escrevo, como disse outro autor.
E toda vez que escrevo me lembro daquela tia. Ela estava morrendo, e minha mãe me chamou:
- Vem cá, vamos à tia x, ela gostava muito de você.
Eu fui e chegando lá, a vi no leito de morte. Ela me estendeu a mão que eu segurei. Depois só a vi morta no caixão. Até hoje eu não me esqueci destas cenas.
E aqui eu aproveito para dedicar a ela tudo o que eu já escrevi.
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