DEPOIS

Quando morei e trabalhei em Curvelo, morava num hotel barato. Ouvia-se lá, mesmo que a pessoa não quisesse ouvir, a música de Evaldo Braga, cuja letra era: "Sorria, meu bem, sorria meu bem!" E Evaldo Braga acabou morrendo cedo.  Na época eu ouvia os Beatles. Eu era no que tange ao conhecimento da vida, muito inocente. Não inocente a ponto de que devia trabalhar.  E trabalhei. E para o meu lazer comprei livros e discos.

Mas em casa esperava-se mais de mim do eu podia dar. Só mais tarde eu me senti realizado num sentido. Uma tia de quem eu gostava muito, me disse:

- Dornas, nós erramos muito com você.

E aí está todo o sentido da minha vida. Eu nunca culpei esta minha tia de nada. Mas foi o princípio de reconhecimento meu perante minha família. Que é de quem mais precisamos nesta vida. Minha família está diminuindo e já foi a razão de viver de minha mãe.

Minha mãe rezava sempre pelos familiares e até pelos que não eram familiares. Eu mereci muitas orações dela.

E eu continuo comprando livros. Vez ou outra escrevo e publico. E quando as publicações onde eu publico me chegam estou sempre me realizando. E isso é bom, muito bom. Mas a primeira permissão para que eu escrevesse e publicasse partiu de minha mãe. E graças a Deus ela pode ver-me diplomado como PERSONALIDADE LITERÁRIA pela ALPAS 21. Diploma no entanto muito desacreditado pela minha irmã caçula, que foi quem me permitiu recebê-lo. Ela, minha irmã caçula é quem toma conta de mim, como ótima tutora que tem sido. E aqui eu me lembro que uma vez no meu trabalho, eu trabalhava como escriturário num banco, eu brinquei:

- Quando eu estiver velho serei escritor.

E eis-me aqui aos setenta e um anos de idade, escrevendo e publicando. Inclusive fazendo vinte anos de atividades literárias, reconhecidas. 

E tenho dito. E que Deus nos abençoe. E que Deus me abençoe.

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