UMA FAMÍLIA

 Eu presto homenagem à minha mãe, hoje e sempre.  Minha mãe um dia disse:

- Eu não coloquei gente ruim no mundo.

Eu utilizei esta frase na composição de um poema e o publiquei. Está numa antologia do Rio. O fato de meu nome assinar o poema no Rio não acho que seja engrandecimento para mim. Acho mais uma homenagem à minha mãe. E aqui estou me firmando neste ofício de escrever homenageando minha mãe. Aqui sim, minha postagem se faz valer no meu mundo, com as palavras "minha mãe". Porque ela foi o que falam dela: uma guerreira, que deu conta do recado. Nos criou a nós sete filhos. E eu, vou falar um pouco de mim abaixo.

Eu um dia me vi desamparado. E o que fiz? Minha cabeça pediu colo à minha mãe. Sem mais palavras, minha mãe me acolheu. Eu hoje estou aqui pensionista. Ganho pouco, como sempre. A pensão que minha mãe me deixou valeu, no entanto. E é bom porque me faz lembrar do tempo em que eu trabalhava. E levava sempre alguma coisa para casa. Divorciado, vi meu salário diminuído. Mas minha mãe, sentenciou:

- O Dornas ganha pouco, mas tem boa vontade.

Eu só não chorei, não sei porque. E no fim ganho pouco também com a pensão. E é bom porque me lembro sempre de minha mãe dizendo:

- O Dornas ganha pouco, mas tem boa vontade.

Ao que me vem à memória a frase também dela:

- Eu não coloquei gente ruim no mundo.

E finalizo lhes contando dos outros seis irmãos meus:

Três faleceram,e deixaram algum dinheiro para os filhos. E no mundo de hoje, dinheiro é importante. A minha mãe é morta, nos dizia isto ou aquilo de modo que aprendíamos. Restamos quatro irmãos. E vamos vivendo como cidadãos da classe média que sempre evitam confusões. Meu pai morreu antes de minha mãe mas nos deixou bem, e minha mãe acabou de nos criar. E tenho dito.

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