Olhei as horas, por olhar. E não vi as horas. Do que me lembrei foi de um poema que escrevi. Dei a este poema o título de O RELÓGIO. E o publiquei no único número de um jornal mimeografado, que publicamos eu e três colegas.O jornal não fez sucesso algum. Mas eu nunca o esqueci, porque a ideia de publicá-lo partiu de mim. Tempos se foram, eu fiquei bastante mais velho. Na época eu estava no segundo grau, como já era chamado o colegial. Gosto de relatar isto porque demonstra que o meu interesse pela palavra escrita não é de hoje. E venho aqui hoje para celebrar uma conversa. Era sobre persistência. E eu tive bastante persistência com a literatura. Tanto que estou aqui hoje contando isso. Prêmio recebido de Deus por estar vivo até hoje e escrevendo, penso que com alguma arte.
SOMOS A MELHOR PARTE DE MINHA MÃE
Quando minha mãe morreu, eu disse à minha irmã caçula: - Criou sete filhos. E minha irmã caçula me disse: - E bem criados. E estou aqui, contente, salvo e vivo. Minha mãe às vezes precisava ser durona. Eu vejo hoje que se ela não fosse assim, nós não teríamos saído o que somos. E enquanto escrevo procuro ter uma imagem da melhor para escrever sobre minha mãe. Embora eu não goste de fazer imagem das pessoas. Mas vou escrevendo sobre minha mãe hoje. Quantas vezes ela não salvou-me do perigo? É verdade. Embora pareça brincadeira dizer que uma mulher salvou a vida de um homem. Eu não sou o pior do sujeitos, eu não diria isso de mim. Mas muitas vezes, sendo de saúde frágil, vacilei e lá fui correr perigo. E se não fosse minha mãe, eu não sei não. E uma tia minha me disse: - Dornas, eu não te entendo. E não é que ela não gostasse de mim. A pobre da minha tia estava acostumada com um filho quase perfeito, em comparação a mim. O que ela não entendia era a minha saúde. O que meu médico dis...
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